
Difícil é ter que viver de aparência, sendo o que nunca desejou ser só porque os outros não entendem quão difícil é a sua situação. É fingir o sentimento mais improvável no momento. É respirar fundo e contar até três. Resistir a tentação de ir lá e descarregar todo o peso do coração para alguém que provavelmente não está preparado pra isso. Fingir que a tempestade já está passando quando você, mais do que ninguém, sabe que ela só está no começo. Ter que encarar tudo que te faz mal de frente e fazer de conta que isso não te agride, não te desmorona. Sentir a maior vontade de chorar, mas ter que forçar um sorriso até chegar em casa, e quando não tiver ninguém te olhando, ninguém pra te ajudar, ninguém pra te ouvir e te entender, você desaba na cama e faz do travesseiro o seu lenço, seu amigo, seu calmante, seu ouvinte.


